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Ligia Silva: Rafael Braga e a cor da justiça brasileira

  • 8 de ago. de 2017
  • 2 min de leitura

Rafael Braga foi preso nas manifestações de 2013, desde então o caso dele tem sido tratado pela justiça de forma secundaria e sem pressa, como uma forma de punição por afrontar o Estado Brasileiro.


A prisão de Rafael Braga foi dada quando ele portava um pinho sol e uma água sanitária, mesmo material que pode servir para fazer um coquetel molotov, porém, Rafael era um simples auxiliar de serviços gerais que estava no lugar errado na hora hora errada. Rafael, em 2014, conseguiu finalmente o regime semi aberto, mas foi punido por tirar uma foto na fachada do presidio com a seguinte frase: "você só olha da esquerda para a direita, o estado te esmaga de cima pra baixo " resultado: 10 dias de solitária e regressão da pena.


Desde então, outras acusações vieram. Por portar 0,06 gramas de maconha, foi preso novamente acusado de associação ao tráfico sob tortura. Recentemente tentou um habeas corpus, mas dois desembargadores votaram pela prisão e um pediu vista, se nada mudar, Rafael Braga continua preso.


O caso Rafael Braga é o exemplo de como funciona o sistema judiciário Brasileiro e a manutenção de pessoas no sistema prisional por casos pequenos que poderiam ser resolvidos rapidamente. A punição do estado em cima de Rafael Braga é o espelho de um sistema carcerário escravista que continua com força total nos dias de hoje. A punição é em cima do preto, pobre e periférico.


Na mesma semana que Rafael Braga foi julgado, aconteceu o famoso caso da desembargadora que foi buscar seu filho na prisão pessoalmente, o rapaz foi preso com 129 kg de cocaína, balas de fuzil e agora está numa clínica de reabilitação por ter problemas psicológicos. Se não bastasse, Michel Temer conseguiu escapar das investigações, depois do escândalo da JBS. Mesmo com imagens de malas e áudios do presidente, a câmara de deputados votou a favor do arquivamento do processo de corrupção contra ele.

Quando você pensar em Justiça brasileira, pense também na posição social de quem comete as maiores barbaridades e continua solto. Pense também nos cargos que essas pessoas ocupam. Pense nos benefícios que elas usufruem. Pense que são essas pessoas que fazem as leis. Olhe a cor dessas pessoas a cor que elas têm e me diga se a Justiça é imparcial. O estado nos esmaga de cima abaixo, e nesse momento esmaga Rafael Braga, como esmagaria qualquer negro há 500 anos atrás.

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